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Milionários vão pagar o mesmo IR que professores: Reforma de Lula decepciona a classe média

  • Foto do escritor: Gustavo Carneiro
    Gustavo Carneiro
  • 9 de out. de 2025
  • 2 min de leitura

Mesmo com a reforma do Imposto de Renda prestes a ser aprovada, milionários no Brasil continuarão pagando a mesma, ou até menos, carga tributária que profissionais da classe média, como professores, policiais e bombeiros.


Segundo dados do Sindifisco Nacional, o novo modelo proposto pelo governo Lula prevê uma alíquota mínima de até 10% para os super-ricos. Mas, na prática, categorias como professores e PMs já pagam isso ou até mais, proporcionalmente à sua renda.

Divulgação
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A principal distorção está no tipo de renda dos milionários. Grande parte dos seus ganhos vem de dividendos, lucros de empresas que, no Brasil, não são tributados desde 1996. Ou seja, enquanto quem vive de salário paga imposto alto, quem vive de lucros quase não paga nada.


A proposta do governo é aplicar um imposto mínimo para quem ganha acima de R$ 600 mil por ano, com alíquota que pode chegar a 10% para quem ultrapassa R$ 1,2 milhão anuais. A ideia é cobrar a diferença, caso o contribuinte tenha pagado menos que esse percentual ao longo do ano.


O valor arrecadado com essa mudança seria usado para aumentar a faixa de isenção do IR para quem ganha até R$ 5 mil por mês e reduzir a alíquota para quem recebe até R$ 7.350.


Apesar de ser vista como um avanço, especialistas consideram a medida tímida. A coordenadora da Oxfam Brasil, Carolina Gonçalves, diz que “é um passo na direção certa, mas ainda muito longe do ideal”, destacando que apenas dois países além do Brasil não tributam dividendos: Letônia e Estônia.


Além disso, produtores rurais milionários ficaram de fora da nova taxação, graças a mudanças feitas na Câmara. Eles continuarão pagando imposto sobre apenas 20% do faturamento, mesmo com rendas altíssimas.


Para se ter ideia da desigualdade: em 2023, professores declararam, em média, R$ 104 mil e pagaram 9,76% de IR. Já produtores rurais, com renda média de R$ 331 mil, pagaram só 4,66%.


A reforma já passou pela Câmara e segue para o Senado. A expectativa do governo é aprová-la até dezembro e usá-la como trunfo na campanha pela reeleição de Lula em 2026.


Mesmo com falhas, economistas como Branko Milanovic afirmam que a medida pode ajudar a reduzir a desigualdade no país. E rejeitam o argumento de que os ricos fugiriam do Brasil por causa da nova taxação.


Da Redação com Correio Braziliense



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